quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Da mulher que já foi homem

FOTO FELIPE PEREIRA
(Egocentrismo explícito)

Castrada na fecundação,
menina, cheia de culpas,
escondia a masturbação
em leves toques
sob o lençol, temendo
um castigo severo
da Virgem que a tudo via,
pendurada na parede do quarto.
Do homem que já fui
herdei a safadeza incontida
que no pensamento
trazia a Virgem
para que lambesse
meus mamilos.
Do pau, ficou o grelo,
das bolas, ovários,
ainda bem que dos pelos,
poucos restaram
e nada de pés grandes
e pomo de Adão.
Os peitos são seios,
sempre ávidos por sucção.
E hoje, já mulher feita,
possuo-me de quatro,
bato forte em minhas ancas,
e soco no mais fundo que posso
até arrancar orgasmos
múltiplos de mim.
Se fosse homem ainda,
por certo me comeria também.
Malu Sant'Anna

Um comentário:

Miss T disse...

O falo invisível

O falo de que falo
não é o falo intumescência,
rijo,
ereto,
mas sim um falo simbólico,
que emana força,
poder,
quase tântrico,
cheio de sabedoria.

Claro!

Pois chega dessas
ejaculações precoces dos pensamentos,
dessas palavras vãs
e cheias de cobiça.
Lascívia desvairada!

Meu falo é invisível.
Mas potente!
Não precisa de auto afirmação.
Minha satisfação é transcendental,
porque meu falo expeli o gozo dos justos.

SÓ PORQUE FALAMOS DELE HOJE, DEU SAUDADES E RESOLVI LINKA-LO AO TEU.
Lindo texto Margarida flor! Amotu!